Trabalho remoto: “Não basta mandar as pessoas para casa”, alerta relatório 

Por Luciana Gurgel | MediaTalks, Londres 

O lamentável episódio envolvendo o jornalista-celebridade americano Jeffrey Toobin, afastado da revista The New Yorker e do cargo de analista-chefe da CNN para assuntos legais por ter se masturbado durante uma reunião via Zoom da qual participavam colegas da redação, é mais um a ilustrar a complexidade de lidar com as novas formas de trabalho impostas pela pandemia. 

Elas não afetam apenas jornalistas. Mas pela natureza interativa da atividade e pela gigantesca pressão de informar a sociedade em condições adversas desde que a Covid-19 chegou – sem data à vista para que vá embora de vez -,  o impacto tem sido severo. E  começa a ser examinado mais seriamente por meio de estudos destinados a mapear os efeitos e apontar caminhos. 

“Nossa mais otimista estimativa é de que 25% a 30% da força de trabalho global estará trabalhando em casa ao fim de 2021 vários dias por semana ao fim de 2021.” 

Kate Lister, presidente da consultoria Global Workplace Analytics 

Um deles, publicado em julho nos Estados Unidos, deteve-se notadamente sobre questões legais e trabalhistas que passaram a desafiar as empresas jornalísticas. 

Em O impacto potencial do trabalho em casa sobre as redações, publicado pela INMA (International News Media Association), a jornalista Mary Meehan sustenta que o trabalho remoto pode ser eficaz desde que sejam adotadas práticas como a criação de espaços adequados e o estabelecimento de escalas regulares. Mas aponta que não é sustentável simplesmente trocar o local de produção sem mudança estrutural. 

Ela fala do que conhece. É uma veterana repórter baseada em Ohio, foi bolsista do Nieman Lab, estudou jornalismo digital e tem dez anos de experiência como freelance. O hábito de já trabalhar remotamente coloca os freelances em certa vantagem em relação aos profissionais que de uma hora para a outra foram arrancados da bagunça organizada e criativa das redações. 

Mary lembra que algumas empresas de mídia já adotavam trabalho remoto antes da pandemia, como o site de notícias Upworthy, cujo editor destacou a vantagem de ter pessoas cobrindo notícias em diferentes fusos horários americanos. E que mesmo a mídia tradicional utiliza o sistema há muito tempo para a equipe de esportes, valendo para repórteres que cobrem eventos noturnos ou no fim de semana. 

Para todos, no entanto as mudanças após a pandemia são significativas. Mesmo os freelas ou repórteres esportivos tiveram que se adaptar a uma realidade sem reuniões de pauta, sem edição ao lado de colegas, sem coletivas, sem entrevistas pessoais com fontes. 

A autora ressalta como o “efeito surpresa” retardou a adoção de providências imediatas. 

“Ninguém sabia por quanto tempo as pessoas precisariam trabalhar no sofá ou na mesa da cozinha. Boas práticas para o trabalho remoto não pareciam relevantes no início, considerando-se que a situação iria durar apenas algumas semanas.

Muitas empresas de mídia agiram de forma semelhante à que sempre foi adotada diante de grandes pautas, como acidentes aéreos ou furacões: todos juntos, encontrando a melhor forma de cobrir a história, com uma estrutura alocada até o fim da emergência. 

Não é o caso em 2020. Nunca houve uma pauta com tamanho impacto na economia, nas empresas de notícias como um todo e nos funcionários individualmente. Adicione a isso espaços apertados, educação dos filhos em casa e medo de contrair a doença. O resultado é um trauma ainda pouco discutido, não apenas nas organizações de notícias, mas em todos os setores”. 

Ela sustenta que o trabalho remoto não se resume a dizer às pessoas para ficarem em casa, citando opinião da psicóloga organizacional Kristen Shockley, professora da Universidade da Georgia, em artigo publicado pela Associação Americana de Psicologia.

“As empresas nunca devem implementar o teletrabalho sem outras mudanças. Elas também precisam mudar sua cultura e implantar normas para apoiar o sistema.” 

Covid-19, uma visita inesperada que está demorando a ir embora 

Ao aprofundar a questão da longa duração das mudanças trazidas pela Covid-19 sobre o trabalho da imprensa, o estudo cita a opinião de James Rodriguez, cientista e pesquisador sobre trauma do McSilver Institute, feitas durante um seminário da Online Newspapers Association (ONA) em Nova York, durante a pandemia: 

“É preciso reconhecer que vivemos  tempos traumáticos. A sensação de caos é agravada pela fato de que não há desfecho à vista. Muitos imaginaram que a quarentena poderia durar semanas, talvez um mês. Poucos consideraram que trabalhar em casa seria permanente.

No início, alguns ficaram felizes em trabalhar de pijama no sofá, tratando o escritório remoto como férias prolongadas,. Agora que ele pode durar mais,  em um número crescente de redações, subiu o nível de estresse. 

As atitudes iniciais descontraídas sobre o trabalho remoto precisam mudar, estabelecendo-se padrões e processos. As pessoas frequentemente subestimam como a rotina relaciona-se com a produtividade. A caminhada até o escritório e o cafezinho são ações que significam mentalmente onde você está no seu dia, e quando sua jornada de trabalho termina.

Novas rotinas podem ser estabelecidas, mas isso não acontece naturalmente. Dá trabalho, exige atenção e vontade. Quando a passagem é bem feita, ganha-se o tempo para a família, trabalho e para o indivíduo.

É seguro dizer que os jornalistas orgulham-se de pensar com autonomia e adaptam-se às situações conforme necessário, muitas vezes sem reclamar. Mas trauma de cobertura pode causar trauma pessoal e ter consequências sobre as organizações. 

O estresse positivo ajuda as pessoas a se concentrarem e cumprirem os prazos. O negativo, especialmente se for contínuo, pode tornar-se tóxico e diminuir a produtividade, causando ou agravando problemas crônicos de saúde e influenciando os resultados das organizações. “

Uma lista de recomendações 

O estudo concentrou-se em experiências vividas por redações americanas. Mas suas conclusões e lições podem ser extrapoladas para outros países. Um resumo das principais: 

1. Trabalhar de casa funciona

Estudos registram que o trabalho remoto em alguns casos melhora a qualidade do produto e o estado de espírito da equipe. 

2. Crie normas 

As regras para trabalhar em casa, mesmo que temporárias, precisam ser formalizadas e compartilhadas com os funcionários. Por exemplo, “nenhum e-mail após a meia-noite” ou “sem pagamento de horas extras, a menos que pré-aprovado”.  As políticas antigas precisam ser revistas e ajustadas para garantir que ainda se apliquem em um novo normal.

Embora a legislação de trabalho remoto não seja única para todos os países, o estudo da INMA listou recomendações apresentadas pela advogada Karla Grossenbacher durante um webinar recente da America’s Newspapers. Uma delas é a atenção à confidencialidade, devido ao uso de Wi-Fi pessoal e ausência de orientações sobre descarte de documentos sigilosos.

3. Prepare-se para o inesperado 

Novos desafios de recursos humanos precisam ser antecipados. Qual é a consequência quando, para citar um exemplo do mundo real, um repórter está no ar ou em uma reunião da Zoom e uma mulher nua passa em frente à câmera, situação ocorrida na Espanha? Ou uma situação ainda mais grave, a de Jeffrey Toobin, que motivou a criação da hashtag #meToobin, associando o caso a assédio sexual e moral? 

A autora observa que tais episódios aconteciam muito raramente em uma redação, mas que agora uma política de RH faz-se necessária para lidar com eles, visto que os casos se repetem. 

4. Estabeleça padrões de conduta 

Quando todos podem ver e ouvir qualquer coisa que você esteja fazendo, o que é considerado aceitável precisa ficar claro. Neste novo mundo, as pessoas podem não saber o quão perturbador o comportamento pode ser diante de uma câmera. Por exemplo: comer uma tigela de cereais crocantes durante uma reunião de pauta com o áudio ligado. “Uma regra amplamente aceita é se você não faria uma coisa presencialmente, não deve fazê-la em uma chamada em conferência”, diz Meehan. 

5. Organize e equipe o escritório em casa

Nos Estados Unidos, a autoridade de segurança e saúde ocupacional (OSHA) disse que não vai inspecionar escritórios domésticos. Mas o trabalho sugere que algumas regras da lei trabalhista podem ser aplicadas. As empresas precisam discutir o que o “escritório em casa” envolve. E pelo menos inicialmente, oferecer assistência para ajudar os funcionários a criar um espaço de trabalho adequado, recomenda o estudo. 

6. Ministre treinamento

O  treinamento inicial é essencial. Funcionários bem versados em software da empresa e sistemas de publicação podem estar menos familiarizados com ferramentas como Slack, Zoom ou Google Docs. 

A maioria dos programas, como o Zoom, oferece vídeos de treinamento. Mas o formato pode não atender ao estilo de aprendizagem de pessoas mais experientes. O trabalho recomenda oferecer aulas particulares de TI ou acesso a um serviço externo. E afirma que treinamento e assistência de TI à disposição reduzem a frustração dos funcionários e melhoram a eficiência a longo prazo.

7. Assegure equidade nos equipamentos 

Se todos fazem reuniões por Zoom o tempo todo, a qualidade do equipamento de áudio e vídeo é fundamental. É recomendável considerar um padrão único de tecnologia. Não fazer isso equivale a dar a um funcionário um laptop e a outro uma máquina de escrever elétrica.

8. Equalize o acesso ao Wi-Fi 

Resolver o problema do acesso a Wi-Fi consistente e de qualidade tornou-se uma questão de diversidade e inclusão. Algumas áreas ruais ou urbanas menos favorecidas sofrem mais frequentemente com o acesso deficiente. 

9. A mudança cultural é possível

Os líderes mais bem-sucedidos nesse novo ambiente serão os os empáticos e flexíveis. A discussão sobre desafios e soluções individuais é essencial, assim como o contato entre funcionários para promover suporte criativo e compartilhar a cultura organizacional.

 

” Se trabalhar de casa é a nova regra, será que a própria forma e o tamanho das casas precisarão se adaptar?” , indagou o estudo.

Em vários países tem se verificado movimentação intensa no mercado de imóveis residenciais. Londres, Nova York, Los Angeles e Washington são cidades que concentram grande parcela de jornalistas do Reino Unido e dos Estados Unidos, que pagam alto preço imobiliário para estar perto do local de trabalho e das fontes. 

Segundo levantamento do Pew Research, 22% dos profissionais de imprensa viviam em áreas metropolitanas de Nova York, Los Angeles e Washington entre 2013 e 2017, contra 13% de todos os trabalhadores do país. 

Com o distanciamento social e a necessidade de espaço em casa para acomodar a família inteira trabalhando e estudando ao mesmo tempo, muitos passaram a procurar imóveis afastados, que passam a fazer mais sentido.

Mas não se trata apenas de mudar a mesa de lugar, diz Mary Meehen.  Ela relatou que ao entrevistar pessoas que estão conduzindo mudanças nas empresas jornalísticas  e analisando pesquisas sobre trabalho em casa, convenceu-se de que o pior erro que uma empresa pode cometer é partir da premissa de que o jornalismo remoto funciona com uma simples mudança do lugar onde as mesas estão localizadas.

“Temos na memória recente o exemplo doloroso de uma falha semelhante. Muitas redações pensaram que o jornalismo online estava apenas trocando o papel pela internet”.  

Ela aponta que a transição demanda imaginação e criatividade, uma vez que tornou-se mais difícil estimular o ânimo da equipe com encontros de socialização ou bônus. Mas reforça que os editores devem considerar seriamente como fornecer suporte e inspiração, lançando mão de recursos como como encontros virtuais, almoços em grupo, sessões de perguntas e respostas com o RH, benefícios e happy hours via Zoom.  

A partir de pesquisas e estudos de caso em redações com perfis diferentes, o dossiê publicado pela INMA enumera os elementos considerados essenciais para o trabalho remoto dar certo. E usa exemplos da vida real, alguns apresentados em um seminário promovido pela ONA em Nova York. 

O relatório cita a experiência da jornalista Kari Cobham, para quem  o “novo normal” é sempre novo, mas raramente normal. Ela migrou da rotina da redação e viagens profissionais para trabalho em casa, com uma criança de 7 anos para cuidar. E estabeleceu regras como a de não trabalhar no quarto, mantido como um santuário livre. 

Com a ressalva de que cada um deve encontrar seus próprios modelos, sugere criar uma brecha para fazer todos os dias algo recompensador.

 

” Para mim, é tomar um longo banho quente. Para outras pessoas, pode ser uma caminhada, o cuidado com as plantas ou dançar quando ninguém está olhando”. 

 

Ao vivo e a cores 

Mary Meellen explorou ainda a questão do uso de imagens em reuniões e entrevistas, que colocou muitos profissionais de imprensa diante das câmeras. Na maior parte das vezes sem o devido preparo nem equipamentos apropriados. 

Ela observa que nem todos entendem como a luz de fundo pode deixar o rosto sombreado, tornando um desafio assistir a uma silhueta falando por 30 minutos. 

“A qualidade das imagens de vídeo também é totalmente diferente: algumas são nítidas e limpas, enquanto outras parecem estar atrás de um par de óculos que não foram limpos desde o início da pandemia”, ironiza. 

 

A autora levanta questões que devem ser avaliadas diante da realidade inexorável do vídeo como parte do cotidiano. 

  • Para ter um espaço de trabalho remoto verdadeiramente equitativo, todos precisam de uma câmera de última geração?
  • Todos precisam de um microfone USB para obter a melhor qualidade de áudio? 
  • É  necessário treinamento em iluminação?
  • Que direções ou restrições devem ser aplicadas aos backgrounds? 
  • Para entrevistas via Zoom ou Skype, devem ser adotadas marcações como as que são utilizadas em programas de TV? 
  • Quais são as limitações das pessoas com deficiência? Que acomodações devem ser padrão? 
  • Quais são as implicações para jornalistas mais veteranos, que podem não se adaptar tão rápido?
  • Pessoas sem treinamento em TV tendem a olhar naturalmente para os rostos das pessoas com quem estão falando e não para a câmera. O posicionamento tradicional das câmeras em laptops e outros dispositivos precisa evoluir para uma interação mais natural, semelhante à humana? 

Estudos de caso 

A autora mergulhou na experiência de redações que adotaram o trabalho remoto à força e em outras que já o faziam anteriormente, mas tiveram que se adaptar às restrições ao movimento determinadas pela Covid-19. 

O caso mais exemplar é o da McClatchy, que em agosto fechou sete redações – algumas conhecidas, como o Miami Herald – e permanecerá com trabalho remoto pelo menos até o fim do ano. O plano é voltar a ter redação física compartilhada, sem que toda a equipe trabalhe nela diariamente. Em nota o grupo justificou: 

 “A pandemia acelerou a necessidade e a capacidade de nossa organização de trabalhar remotamente. Isso nos levou a olhar para novas formas de encontrar redução de custos, incluindo a saída de locações de imóveis. É uma experiência que empresas jornalísticas em todo o país observarão, e que pode mudar o modelo de negócios de jornais”.

A  Skift, editora de publicações setorizadas com foco na indústria de viagens anunciou que abriria mão de seu escritório em Manhattan, a fim de economizar US$ 600.000 por ano diante da perda de receita com eventos, que também levou a demissões. 

Mas para quem pensa que o recurso de reduzir ou extinguir o trabalho presencial é coisa de empresas em dificuldades, o relatório lembra que a tendência chegou também às poderosas e bilionárias plataformas digitais. 

Google, Facebook e Twitter adotaram a medida, com a enorme vantagem de contarem com recursos financeiros suficientes para proporcionar aos funcionários infraestrutura doméstica de provocar inveja em jornalistas que trabalham em empresas jornalísticas tradicionais.

Referências de trabalho remoto: do’s and dont’s 

O relatório da INMA  lista uma série de estudos e pesquisas sobre trabalho remoto não relacionadas ao universo das redações, mas que podem ser úteis a donos de seus próprios veículos, editores, gestores e pessoal de RH de empresas jornalísticas como referência para planejar melhor a adaptação ao trabalho remoto. 

Ela incluiu até experiências mal-sucedidas, como a da Society for Human Resource Management, que examinou a importância do treinamento em um relatório publicado em maio de 2019. O trabalho analisou empresas como IBM, Yahoo, Aetna e Best Buy,  que tentaram trabalho remoto mas decidiram encerrar o projeto. 

Gente, o principal 

Na conclusão do estudo, Mary Meehen lembra que acima de todas as questões operacionais e técnicas está o fator humano.

“A cultura da redação tradicional precisará mudar. Apoio emocional e empatia, que não costumam fazer parte do ambiente carregado das redações, tornaram-se essenciais. Especialmente porque o coronavírus continua a devastar o mundo. 

Deve haver reconhecimento de que os jornalistas, assim como todas as pessoas, estão passando por trauma e estresse sem precedentes. No longo prazo, a adoção do trabalho remota pode remodelar significativamente a mídia, talvez para melhor”. 

Earl J. Wilkinson, CEO da International News Media Association (INMA), recomenda a leitura do trabalho: 

“Se você leva a sério a gestão de pessoas e talentos na crise da Covid-19, invista tempo estudando o conteúdo reunido nesse trabalho. Confira se o seu plano de trabalho remoto está adequado. Compare seus esforços com os dados e estudos de caso aqui contidos.

Existem nuances além de fornecer um computador para um funcionário ligar em casa. Estamos assumindo como líderes que isso é fácil para todos? Spoiler: não é.

E para quem ainda acredita que as mudanças são temporárias, vale lembrar o que disse o CEO do Google em entrevista à revista Wired: 

 

“Eu não acho que vamos voltar para onde estávamos antes de tudo isso começar. ”  Sundar Pichai, CEO, Google

 

A íntegra do relatório está aqui 


Luciana Gurgel, Coordenadora editorial do MediaTalks byJ&Cia, é jornalista brasileira radicada em Londres. Iniciou a carreira no jornal o Globo, seguindo depois para a comunicação corporativa. Em 1988 fundou a agência Publicom, junto com Aldo De Luca, que se tornou uma das maiores empresas do setor no Brasil e em 2016 foi adquirida pela WeberShandwick (IPG Group). Mudou-se para o Reino Unido e passou a colaborar com veículos brasileiros, atuando como correspondente do canal MyNews e colunista semanal do Jornalistas&Cia / Portal do Jornalistas, no qual assina uma coluna semanal sobre tendências no mundo do jornalismo e da comunicação. É membro da FPA (Foreign Press Association). 

luciana@jornalistasecia.com | @lcnqgur 


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