Num 2020 que deixou todo mundo trancado em casa, a palavra do ano do Collins Dictionary só poderia ser… lockdown!

Por Aldo De Luca | MediaTalks, Londres 

A tradição de escolher a palavra do ano (ou WOTY, de Word of the Year) reflete sempre o que aconteceu de mais importante no período. Por isso, não causa espanto que, num ano em que foram registrados mais de 50 milhões de casos no mundo, a escolha tenha também sido contaminada pelo coronavírus. E o contágio foi tão grande que, das 10 palavras finalistas, seis estão relacionadas à pandemia. 

A escolha da palavra de 2020, explica a equipe do Collins Dictionary, “resume bem a experiência vivida por bilhões de pessoas que tiveram sua rotina diária restringida por causa do vírus”.

A prática começou em 1971, na Alemanha, com a escolha da Wort des Jahres. A American Dialect Society foi a primeira a escolher a palavra do ano em língua inglesa, a partir de 1991. O britânico Collins Dictionary é sempre um dos primeiros a divulgar suas escolhas, desde 2013. Confira a seguir as 10 palavras (ou expressões, em alguns casos) que, para eles, marcaram 2020. 

Campeã lockdown não merece celebração

Assim a equipe do Collins Dictionary referiu-se à escolha da palavra do ano, por continuar ainda sendo muito usada em diversos países, que com novos lockdowns tentam conter a segunda onda da doença. A equipe ressalta que lockdown era um termo antes mais usado para designar o confinamento de presos em suas celas por causa de algum distúrbio. 

Depois de 2020, passou a significar na mente da maioria das pessoas uma medida de saúde pública e seu uso aumentou exponencialmente, como a forma de progressão do vírus. Segundo a equipe, a palavra do ano “resume como a pandemia afetou a maneira que trabalhamos, estudamos, fazemos compras e socializamos”. 

 

Uso da palavra coronavírus aumentou 35 mil vezes 

A palavra não era nova, mas o coronavírus era, e com suas mutações espalhou tanta angústia que fez com que o termo fosse usado como nunca. Mudou a vida das pessoas tão profundamente que trouxe para a conversa do dia a dia outras palavras até então quase não pronunciadas.

 

Distanciamento social mudou a forma como interagimos e nos movimentamos

     

“Mantenha distância” deixou de ser uma regra válida apenas para os veículos e passou a servir também para a interação entre as pessoas. O conceito de “distanciamento social” foi tão difundido que também virou verbo a partir do momento em que todos precisaram “distanciar-se socialmente”. 

 

Autoisolamento criou bolha de proteção

A luta contra o novo coronavírus exigiu a extensão da zona de exclusão em torno de nossos corpos com o autoisolamento. Também virou verbo. Muito usado por quem precisou fazer quarentena e teve que se “autoisolar”.

 

Os heróicos trabalhadores essenciais

 

Que o trabalho dignifica todo mundo já sabia. Mas a pandemia mostrou que os trabalhadores essenciais são dignos de aplausos, com palmas das varandas de quem estava em lockdown. Não só médicos e profissionais de saúde, mas também lixeiros, motoristas, carteiros, entregadores e todos os que tiveram que se arriscar pelo bem comum. A gratidão foi tanta que, segundo o Collins Dicitionary, o uso do termo aumentou 60 vezes em 2020. 

 

Licença do emprego mudou o mundo do trabalho

Demissões e home office estiveram muito presentes, mas o termo licença foi o que mais trabalhou durante o ano. Refere-se aos funcionários que não foram demitidos, mas dispensados temporariamente até que os negócios voltassem a funcionar.  

 

Black Lives Matter, contra a violência e opressão

Esta foi uma das quatro finalistas não relacionadas à pandemia, mas que marcou o ano, mostrando que o avanço da justiça social pode ser possível mesmo em meio à maior crise de saúde dos últimos tempos.

 

Tiktoker nunca fica isolado 

O TikTok foi a febre que tomou a internet durante a pandemia. Os tiktokers suportaram o isolamento compartilhando vídeos e memes. Virou o modo de expressão da geração mais jovem, eclipsando as demais redes sociais e fazendo o termo tornar-se um dos mais marcantes do ano.

 

Mukbang e a fome de vídeos

As duas últimas palavras finalistas têm um alcance menos global. O interesse por vídeos tem aumentado tanto que catapultou este termo, que designa a performance diante das câmeras de glutões que devoram comida para entretenimento de quem assiste. O conceito um pouco estranho fez com que o idioma inglês tivesse que fazer um empréstimo do coreano.

 

Megxit e a saída de cena de Meghan e seu príncipe

Outra finalista de alcance mais restrito é a palavra que designa a saída de Meghan Markle (Meg exit) e seu marido, ex-príncipe Harry, da família real, abdicando de seus títulos. Eles também deixaram o Reino Unido e, em tempos de pandemia, foram se isolar nos Estados Unidos.

 

As campeãs anteriores

Lockdown vem destronar a palavra do ano de 2019, climate strike, que fazia alusão às manifestações que marcaram o período para chamar a atenção para as mudanças climáticas. 

Em 2018, a palavra do ano fora single-use, referente aos produtos descartáveis, já mostrando o aumento da preocupação ambiental. 

No ano anterior tinha sido, pode acreditar, fake news, mostrando que o fenômeno continua há um bom tempo sem solução.

 

 

Esperemos que uma lista de palavras finalistas dominada por uma doença nunca mais volte a acontecer. E que 2021 nos compense com tão boas notícias que nos deixem sem palavras.


Aldo De Luca,  Conselheiro e colaborador do MediaTalks byJ&Cia, é jornalista brasileiro radicado em Londres. Formado em Jornalismo pela UFF (Universidade Federal Fluminense), foi repórter especial do jornal O Globo em 1987 e 1988. Fundou junto com Luciana Gurgel a agência Publicom, que se tornou uma das maiores empresas do setor no Brasil e em 2016 foi adquirida pela WeberShandwick (IPG Group).  Além de jornalista,  é Engenheiro pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). Integra a  FPA (UK Foreign Press Association).

 


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