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Na semana do #DiadaTerra, a Covering Climate Now (CCNow), rede de veículos comprometida a aprimorar a cobertura de mudanças climáticas, está convidando jornalistas que trabalhem em veículos de comunicação e organizações jornalísticas de todo o mundo a assinarem um statement assumindo o compromisso de adotar a expressão “emergência climática” ao se referir à crise ambiental.

O texto do statement é de autoria da revista Scientific American. A coordenação da coleta de assinaturas está sendo feita pela Covering Climate Now, baseada nos Estados Unidos, que reúne mais de 450 veículos de imprensa em todo o mundo (o MediaTalks é um deles)

O objetivo é fazer com que o jornalismo reflita de forma mais eloquente a posição da ciência sobre os problemas gerados pelo aquecimento global. 

Os primeiros a endossar a proposta de empregar a expressão emergência climática em suas matérias foram Columbia Journalism Review, The Nation, The Guardian, Noticias Telemundo, Al Jazeera English, The Asahi Shimbun e La Repubblica. Os sete figuram como co-autores da iniciativa. 

Em um artigo publicado no dia 12/4 o editor da Scientific American, Mark Pischetti, faz uma analogia com a pandemia para justificar a proposta:

“Uma emergência é uma situação séria que requer ação imediata. Quando alguém liga para o socorro médico porque não consegue respirar, é uma emergência. Quando alguém cai na rua com o coração batendo forte e os lábios roxos, é uma emergência. Ambas precisam de ajuda imediatamente.

 Multiplique esses indivíduos por milhões de pessoas com sintomas semelhantes e isso configura a maior emergência de saúde global em um século: a pandemia da Covid-19.

Pichetti compara então a situação com a de um desastre ambiental, como um furacão, o rompimento de uma barragem, uma onda de frio repentina que corta a energia de um estado inteiro, caso do Texas.  

Essas também são emergências que exigem ação imediata. Mas multiplique essas situações acontecendo simultaneamente em todo o mundo e você terá a maior emergência ambiental que assola a Terra em milênios: a mudança climática.

O editor observa que usar o termo “emergência climática” nas matérias sobre os problemas ambientais não é uma fantasia jornalística, pois a seriedade da crise vem sendo seguidamente confirmada. 

Um dos exemplos mencionados por ele é o manifesto  Alerta dos cientistas mundiais sobre uma emergência climática, assinado em janeiro por mais de 11 mil cientistas de 153 países, confirmando a convicção de que o mundo está enfrentando uma emergência climática que exige ação. Em 9 de abril,  outros 2,1 mil assinaram.  

Pichetti destacou também como evidência o fato de que mais de 1,8 mil localidades em 33 países já terem emitido declarações de emergência climática devido a eventos ambientais que afetaram mais de 820 milhões de pessoas, justificando o uso da palavra emergência. E afirma: 

O jornalismo deve refletir o que a ciência diz: a emergência climática está aqui. 

O texto do manifesto 
Estamos vivendo em uma emergência climática e precisamos dizer isso
Esta é uma declaração de ciência, não de política. Milhares de cientistas – incluindo James Hansen, o cientista da NASA que colocou o problema na agenda pública em 1988, e David King e Hans Schellnhuber, ex-assessores científicos dos Governos britânico e alemão, respectivamente – disseram que a humanidade enfrenta uma “emergência climática. ”
Por que “emergência”? Porque as palavras são importantes. 
Para preservar um planeta habitável, a humanidade deve agir imediatamente. O fracasso em reduzir a quantidade de dióxido de carbono na atmosfera tornará rotina o calor extremo, as tempestades, os incêndios florestais e o derretimento do gelo que vem acontecendo.  Essa rotina pode “tornar uma parte significativa da Terra inabitável”, alertou o artigo de janeiro da Scientific American
A resposta da mídia à Covid-19 é um modelo útil. Guiados pela ciência, os jornalistas descreveram a pandemia como uma emergência, relataram seus impactos devastadores, confrontaram a desinformação e disseram ao público como se proteger (com máscaras e distanciamento social, por exemplo).
Precisamos do mesmo compromisso com a pauta do clima. 

O link para a declaração está aqui (em inglês).

Além de assinar, veículos podem se afiliar à Covering Climate Now, ganhando acesso a um enorme acervo de matérias compartilhadas pelos membros para republicação ou veiculação sem custos. 

Os participantes podem também oferecer conteúdo para ser republicado por parceiros da rede em outros países, contribuindo para aumentar e aprimorar a cobertura sobre a emergência climática. Se quiser saber mais escreva para nós em mediatalks@jornalistasecia.com.br.

Dia da Terra (22 de abril)

O compromisso proposto à imprensa pela Covering Climate Now faz parte das iniciativas globais em comemoração ao  Dia da Terra , na próxima quinta-feira (22 de abril). O tema escolhido este ano pelo projeto é Vivendo com a Emergência Climática. 

Milhares de eventos vêm acontecendo desde a semana passada em todo o mundo.

O presidente dos Estados Unidos Joe Biden convidou 40 líderes mundiais para participar de um summit virtual nos dias 22 e 23 de abril para destacar a urgência de uma ação climática mais forte. O evento será transmitido ao vivo, demonstrando a relevância da causa ambiental. 

Pôster oficial do Dia da Terra (Foto: Earthday.org)

O Earthday.org, site oficial do Dia da Terra, fará uma live em paralelo ao summit global de Biden, às 13 horas (horário de Brasília). O evento, cujo tema é Restore Our Earth (Restaure nossa Terra, em inglês), terá workshops, painéis de discussão e apresentações especiais, abordando temas como processos naturais, tecnologias verdes emergentes e pensamentos inovadores que podem restaurar os ecossistemas do mundo.

Além disso, a live discutirá também a alfabetização climática e ambiental, tecnologias para a restauração climática, reflorestamento, agricultura regenerativa, equidade e justiça ambiental e ciência cidadã. Estarão presentes líderes mundiais do clima, ativistas, ONGs, líderes de pensamento, líderes da indústria, artistas, músicos e influenciadores. 

A organização do Earth Day elaborou um mapa virtual com vários eventos que acontecerão ao redor do mundo na semana do Dia da Terra. Confira aqui 

Personalidades e Organizações que sempre estão na linha de frente na luta pela sustentabilidade e o meio ambiente não poderiam deixar de promover eventos/atos durante a semana do Dia da Terra. 

A jovem ativista Greta Thunberg testemunhará no Congresso americano perante um painel do Comitê de Supervisão da Câmara, durante a audiência “O Papel dos Subsídios aos Combustíveis Fósseis na Prevenção de Ações contra a Crise Climática”. A audiência será conduzida pelo Presidente do Subcomitê de Supervisão Ambiental Ro Khanna.

Já o  Greenpeace vai promover em 21/4, um dia antes do Dia da Terra, às 13h, um webinar sobre os impactos de combustíveis fósseis. A live será transmitida no canal do Greenpeace no YouTube.

No Brasil, assim como no resto do mundo, ocorrerão ações para plantar árvores, economizar energia, além de diversos debates e seminários para debater as mudanças climáticas.

Um deles, e que merece atenção da imprensa brasileira, é o Green Building Week 2021, organizado pela ONG Green Building Concil Brasil, que busca “transformar a indústria da construção civil e a cultura da sociedade em direção à sustentabilidade”.

O evento, gratuito, terá diversos debates com especialistas sobre o tema “Qualidade do Ar no Ambiente Construído”, e sobre como reduzir a poluição do ar e o aquecimento global, visando a construção de “cidades verdes”. Confira a programação completa aqui. 

Leia também 

Dia da Terra: a justiça social na pauta da mudança climática

 

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